NOSSA TURMA


Fim de ano NT!!!!

Isso aí galera, estamos chegando no final do ano! Para a maior parte da galera só haverá corridas no proximo ano. Me parece que só o Henri e o Augusto estarão na São Silvestre, a eles boa sorte! Se tudo der certo eu estarei assistindo de casa, lá em Cardoso, bem longe de Sampa!

Acredito que tenha sido um grande ano para a NT, os relatos aí que o diga! E esperamos que 2006 continue assim, com a NT cada vez crescendo mais! Que as amizades aumentem, que haja muito apoio, incentivo, alegria e saúde! Que haja muitos revezamentos para que a gente se encontre sempre!

Eu estou viajando e só volto a escrever aqui após o dia 2. Feliz pois já encerramos o ano NT com um grande Churrascão! Boas festas a todos!

Abraços

Marcos



Escrito por Marcos Sanches às 16h31
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São Silveira e Corrida de Natal - 17/12

Eu saí meio dia de casa rumo à S Silveira, tinha que andar meia hora até o trem e de lá mais um tempo até a corrida. Cheguei bem cedo ainda faltavam uns 10 minutos para as 14h, pedi a um corredor que achasse meu nome na lista e peguei meu chip. Depois fiquei por ali, faltava ainda muito tempo para a largada, me sentei num murinho, fiquei descansando. Não faltava muito pra largada quando o Marçon me viu de bobeira, ele estava junto com a Sally. Depois me apresentou o Fabão! Grande Fabão, foi um prazer lhe conhecer cara!!! Ainda encontramos o Riso depois!
Largamos eu Marçon e Fabão juntos, então me parece que o Fabão ficou e eu fui com o Marçon. No começo eu tentei forçar um pouco mas as pernas acabaram, eu sentia muito o revezamento 24h ainda! Continuamos juntos eu e o Marçon, na primeira subida forte ele foi e eu não consegui acompanhar, pensei que ia ficar para trás, a dor na perna que começo nas 24h voltou. No final da subida alcancei novamente o Marçon e fomos juntos.
Eu não corria confortavelmente, as pernas estavam cansadas e a panturrilha direita doia. Eu me limitava a dar passos curtos e rápidos, diminuindo o impacto, tentando pistr leve e impulsionar mais o corpo com a perna direita. Sentia mais nas subidas e descidas, o plano era melhor. Alem disso o calor era muito forte, mesmo se o sol escondia por tras de alguma nuvem o calor continuava pegando firme. O corpo aquecia muito, a água nos dois postos estava quente. Por volta do Km 6 o Marçon ficou um pouco para trás, eu não via hora de terminar o negócio e tentei apertar um pouco o ritmo, mas pouca coisa eu consegui, a perna doia, o calor derrubava...
Terminei com 42 minutos os 8.5Km e fui como Marçon para o Ibira onde haveria a corrida de Natal, aliás muito devo agradecer ao Marçon pela carona, não sei que horas chegaria no Ibira sem o Marçon!
Na verdade parei na minha casa, precisava pegar o comprovante de inscriçao para retirar o kit e tinha comibnado também com a minha namorada de sair 5:15 de casa. Ela me deu um balão e eu fui trotando para o local da prova, 5:35 estava lá.
A prva de Natal é atípica. Larguei bem atras e tudo que consegui fazer no começo foi ir conversando com um colega, era impossível correr. Mais ou menos na metade da prova apertamos um pouco ritmo e passamos muita gente, eu senti muito a perna denovo, não tinha jeito, aquela seria a última prova da temporada, eu tinha que me cuidar. Terminamos já era mais de 6:30, não marquei o tempo. Foi uma prova festiva, muita gente, famílias correndo, pistas lotadas...No final encontrei e conversei um pouco com o Michel, mas não tornei a ver o Marçon e a Sally. Terminei o sábado bastante cansado, fui para casa e caí na cama...


Escrito por Marcos Sanches às 17h45
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Ultra relato 24h - Parte -1

                    Sábado, 10 de Novembro, 8h da manhã. Eu e o Issao estamos em São Caetano do Sul, fazendo os preparativos inicias para o que seria o nosso maior desafio em toda a vida de corredor: fazer juntamente com o Luis Augusto e o Paulo uma corrida de revezamento de 24h.

                    Pouco tínhamos nos preparados, sequer sabíamos como nos preparar, e pouco conhecíamos o novo desafio, as reações do corpo, que estratégia tomar. Tínhamos que rodar numa pista de atletismo sem parar por 24 horas seguidas, nos revezando a cada 30 minutos pelo menos. Escolhemos que o nosso revezamento seria feito sempre a cada 30 minutos, e só correríamos mais que isso se assim fosse decidido durante a prova.

                    Chegamos em São Caetano bem cedo para pagar lugar para a nossa tenda. Lá, de cara encontramos o Cupim, conversamos um pouco, fomos retirar os kits, e trazer para o campo de futebol todas as coisas do carro. Acamparíamos dentro de um campo de futebol, em volta do qual os atletas correriam em uma pista comum de atletismo de 400m.

                    Começamos a armar a nossa tenda, emprestada pelo Leonardo. Naquele momento a organização tinha adiantado os preparativos, já haviam instalado o pórtico, embaixo dele o tapete e muitos cones. Os tapetes mediriam cada volta nossa, através de um chip que devia ser colocado na canela direita, preso com velcro. Poucos atletas estavam no local, mas a retirada de chip já funcionava e  algumas tendas já estavam armadas no campo. Uma delas era a da VO2, do nosso amigo Bernabeu, que vimos depois ter uma equipe muito forte. Enquanto as equipes optavam por tendas grandes, muitos dos atletas que fariam as 24h sozinhos levaram apenas uma barraca pequena, que protegeria apenas suas coisas e serviria de abrigo para uma pessoa de apoio.

                    Entre os que encarariam o desafio individualmente estavam o Eber e o Bond. Enquanto o Band tinha seu próprio apoio e sua tenda, o Eber estava com a gente e seria apoiado pelo Marçon, Sally e também por nós sempre que preciso. O Eber estreava na prova mas com muita vontade e sem medo, ele ia determinado, e bem antes da prova percebi que pensava alto, tentaria pelo menos uma colocação na categoria. Ele tinha uma estratégia de competição muito particular e muito agressiva. Por mais que para a gente aquilo era uma brincadeira, ele sabia sair feliz da prova se não ganhasse nada, mas enquanto tivesse chance e forças ele lutava pela melhor colocação com muita determinação e concentração. Quanto ao Bond eu sempre torcia por ele e mais ainda o admirava por tantos grandes feitos em ultras. O Band é o tipo que também marcava pela dificuldade que eu tinha em reconhecê-lo, parece que ele sempre estava diferente, ora com boné, ora careca, ora com uma bandana, totalmente agasalhado, de sunga...



Escrito por Marcos Sanches às 18h22
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Ultra relato 24h - Parte 0

                    E por fim, mas não menos importante, o Sadao e a Lika seriam nosso apoio. O Sadao viria de manhã, assistiria a largada e voltaria a tarde para São Paulo para buscar a Lika, que viraria a noite também como apoio. Os méritos de ter o Sadao e sua dedicação como apoio são indescritíveis. Ele não se limita a ficar lá de apoio nos ajudando. Ele vai com o carro dele e leva mais suprimentos do que nós mesmos. Leva colchonete pra gente dormir, isopor, gatorade, e superprevenido leva também o guarda chuva. Eu só sei que quando desmanchamos as tendas era dele a maior parte das coisas. A Lika chegou depois e pouco o Sadao a deixou apoiar a equipe em termos de ajuda ao atleta. Mas ainda assim ela sequer dormiu, sempre disposta durante toda a noite a ajudar onde pudesse, até no suprimento das necessidades de cafeína do Issao. E, por motivos óbvios, ela ficou o tempo todo dando assistência a mim, motivo pelo qual ainda maior é o valor que eu tenho que dar a sua participação. Foi da Lika quase todos os registros fotográficos da prova, pois eu levei apenas a câmera sem filme e quem levou câmera pouco a usou.

                    Começamos então eu e o Issao a armar nossa tenda, mas já ali vimos que ela seria pequena demais para 6 pessoas entre os atletas e o apoio. Só com essa tenda certamente teríamos problemas se chovesse ou viesse algum vento um pouco mais forte. Vendo isso o Cupim emprestou para a gente uma barraca de camping para duas ou três pessoas que durante a noite se mostrou indispensável para proteger as mochilas e para que nós pudéssemos descansar. Armada a nossa tenda e a do Cupim, logo apareceram por ali a Sally, o Marçon e depois chegaram o Luis Augusto e Claudia, Sadao, Eber, Paulo e Rodolfo.

                    Arrumamos todas as coisas, e conversamos sobre as nossas estratégias. Decidiu-se ali que eu largaria, seguido pelo Luis Augusto, o Paulo e finalmente o Issao. Aproximou-se o horário da largada e o sol apareceu quente, tratei de passar logo muito protetor solar. Estávamos todos ansiosos pelo desafio que viria, sabíamos que seria muito duro, mas em momento algum tínhamos medo de alguma coisa. Tínhamos pressa que o negócio começasse para nos deliciarmos com as voltas intermináveis naquele percurso monótono de apenas 400m. Os 30 minutos que cada um teria seriam suficientes para 14, 15, 16 voltas.

                    Faltando 10 minutos para a largada o locutor nos chamou para a pista, havia muitos ultramaratonistas que rodariam sozinhos, e apenas 8 equipes de 4 atletas, e ficávamos animados com a possibilidade de um pódio.

                    Ali postado bem perto da primeira linha eu reparava nos demais corredores, quase todos encarando aquilo sozinhos, cada um do seu jeito, com sua estratégia, uns concentrados, outros fazendo piadas, brincando, outros conversando sobre provas anteriores. O Eber não se preocupava com a primeira fila, pouco conversava, alongava concentrado. Antes da largada o locutor fez um pouco de cera, uma banda tocou o hino nacional e começou a contagem regressiva, acompanhada em coro por todos os atletas quando já passava das 10:10. Quando a contagem chegou no zero partimos para um desafio muito longo.

                    Eu não saí devagar, mas houve quem ainda estivesse na minha frente. Apenas pensei em liderar por algum tempo, mas o ritmo dos que estavam na minha frente era muito maior do que aquele que eu me propunha a correr, eu me cansaria sob uma temperatura muito alta sem motivos. No início eu era o terceiro atleta, e não percebi bem se os dois primeiros eram corredores de equipes ou individuais, até porque alguns corredores individuais acabaram me passando depois, em ritmo forte e incompreensível, mas era muito provável que aqueles dois eram corredores de quartetos.

                    Nas voltas iniciais o Issao me cantava o ritmo e eu estava bem abaixo dos 2min/volta, o que dá 5min/km. Era esse realmente meu objetivo, queria completar a maratona em tempo melhor que a minha melhor maratona, que fiz em 3h26m, para isso precisaria rodar por volta dos 4:50 min/Km.



Escrito por Marcos Sanches às 18h21
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Ultra relato 24h - Parte 1

                    Na segunda volta já comecei a ultrapassar alguns corredores da categoria individual. Eu olhava muito o ambiente e como havia muitas pessoas eu me perdi completamente quanto ao número de voltas e minha posição. Os ultras eram figuras admiráveis, valia a penas esquecer qualquer coisa para estudá-los, entender suas estratégias. Alguns corriam juntos conversando, alguns andavam, alguns corriam forte.

                    Eu fui rodando volta atrás de volta, e o ritmo estava confortável apenas nas primeiras voltas. Logo eu senti muito o calor, ora o sol aparecia forte, mas mesmo quando ele se ia por trás de alguma nuvem ou bloqueado pelas árvores, o calor era desanimador. O meu ritmo caiu, segundo o Issao para 2min/volta. Nas últimas voltas eu já sentia o corpo muito quente e não via a hora de terminar. O fato de aquela ser ainda a primeira de 12 pernas me preocupou um pouco e eu comecei a calcular quantas vezes eu correria sob o sol. Como estávamos em 4 e cada um corria 30 minutos, eu correria a cada 2h, ou seja, as 10h, 12h, 14h, 16h... Pois bem, até às 18h a temperatura podia estar muito alta, isso seriam 5 pernas, quase a metade. Era difícil definir alguma estratégia porque eu não sabia como o corpo estaria com o passar do tempo. Se eu rodasse devagar agora para me poupar sob o sol, podia estar cansado à noite e não conseguir recuperar correndo mais forte. Se eu rodasse mais forte agora poderia quebrar e sofrer muito depois, nas pernas finais. Tentei não rodar muito devagar sendo otimista e imaginando que quando a noite chegasse o ânimo seria tal que superaria o cansaço e eu continuaria correndo bem. Eu tinha boas razões para acreditar nisso, pois a noite era sempre muito agradável para mim pelo simples fato que sem o sol eu não tinha o stress de não conseguir enxergar nada. Isso fazia muita diferença apesar de não parecer.

                    Na pista eu passei algumas vezes pelo Eber e pelo Bond, que iam em um ritmo constante e lento em relação ao meu. Eu dava uma força a eles e nesse começo todo mundo estava bem, descansado, era só alegria!

                    Terminei minha primeira perna com 16 voltas e passei para o Luis. O ponto de troca ficava a uns 70 metros do pórtico. Lá, tínhamos que sair da pista, subir na grama, tirar o chip da perna e passar para o colega. Isso tomava alguns segundos, talvez entre 5 e 10 segundos, mas todas as equipes tinham essa mesma perda.

                    E o Luis foi, rodou firme sua primeira perna e fez 15 voltas, seguiram o Paulo e o Issao também com 15 voltas. Todo mundo estava sentindo bastante o calor, mas me pareceu que o calor afetava mais ao Paulo e a mim. Na espera de 1h30m para a próxima perna ficávamos na tenda, tentando nos esconder do sol, mas o espaço era pequeno, a gente se apertava ali. O Rodolfo estudava os corredores, prestava muita atenção nas estratégias, na briga por posições, nos primeiros colocados. O Sadao nos dava apoio, ficando muito na beira da pista, oferecendo água e marcando todos os tempos das trocas. O Apoio do Eber ficava por conta do Marçon e da Sally que também eram muito dedicados. O Marçon, alem de apoiar o Eber, fazia parte da organização. Ele era dedicado e prestativo como poucos, sempre pronto ajudar e fazendo tudo por qualquer pessoa. O Marçon é o tipo de pessoa que faz acontecer, ele nunca está parado, sempre atuando em várias frentes.

                    Nesse primeiro intervalo me preocupei um pouco com a alimentação, pois eu não tinha levado muita coisa. Levei vários saches de carboidrato, uma penca de bananas, algumas tangerinas e um pão de forma. Havia dois motivos para não ter me preocupado com a alimentação: a organização havia prometido que haveria alimentação e se isso falhasse, o nosso apoio poderia sair para comprar algo em algum lugar. Ainda estávamos no começo da prova, eu tinha largado às 10h e correria novamente ao meio dia. Já era hora do almoço e o melhor era comer algo. Optei pelas frutas que eram mais leves e comi uma banana e duas tangerinas. O Issao terminou sua primeira perna e eu fui para a minha segunda. Embora ainda estivesse bem calor, nessa perna eu peguei menos sol, e não sei se fui mais rápido, mas sofri menos que na primeira perna. De novo me perdi na contagem das voltas mas pelo desempenho devo ter feito 16 voltas novamente. Só eu me perdia na contagem das voltas, o Paulo, Luis e Issao contavam todas as voltas.

                    A cada 2h sempre havia uma mudança de direção no sentido da corrida, o que sempre acontecia na perna do Issao. Assim, a cada vez que eu, Luis e Paulo começávamos a correr era no sentido contrário ao da última vez. E o Issao ficava com o inconveniente de ter mais dificuldades para contar as voltas.



Escrito por Marcos Sanches às 18h20
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Ultra relato 24h - Parte 2

                    Depois de minha segunda perna eu fui para a nossa tenda e comi três tangerinas, duas bananas, uma garrafinha de água e uma de gatorade. Nesse intervalo também fui pela primeira vez no banheiro, e vi que lá tinha chuveiros, o que seria ideal para o calor do momento. Mas eu decidi não tomar banho porque tinha passado protetor solar e se tomasse banho ia ter que repassar o negócio, pois certamente eu ficaria com queimaduras se corresse naquele sol.

                    Logo chegou a minha terceira perna que foi marcada pela famosa dor de lado, que no meu caso era totalmente relacionada à alimentação. Eu havia comido e tomado água mais do que devia. Durante algumas voltas dessa terceira perna eu sofri um pouco com a dor que também não deixava eu manter o ritmo que queria. Era a minha perna das 14h, o sol muito quente, eu tentei me poupar mas ainda assim contei 16 voltas nos 30 minutos que me cabiam. Várias vezes eu passei pelo Eber, e por várias vezes recomendei a ele que se poupasse naquele sol para ter forças a noite, quando sem o sol uma velocidade maior seria menos desgastante. Vez ou outra eu via o Eber correndo em ritmo forte para as 24h, o que me preocupava pois eu não queria que ele quebrasse. Ele dizia que estava bem, e ficava de olho nos adversários. Nesse momento o Marçon e a Sally eram só dedicação ao Eber, os dois se desdobravam para deixá-lo confortável. E assim também era o Sadao com a nossa equipe. Era o espírito das 24 horas, muita solidariedade e dedicação.

                    Ao final da terceira perna eu já sentia o cansaço e lembrava que ainda estávamos no começo. o Sadao, que buscaria a Lika às 3:30 não foi pois ao ligar para a casa dela não a encontrou. Nesse intervalo eu me limitei a tomar água e comer um pouco de granola oferecido pela organização, pois não queria sentir a tal dor de lado na próxima perna. Seria apenas a quarta perna e eu já me sentia cansado. Todos reclamavam e sentiam o sol, o calor, a umidade baixa. Era muito difícil tentar prever o que aconteceria com a gente nas próximas voltas, mas o cansaço que eu particularmente sentia era um pouco preocupante. Precisava esperar para ver.

                    Até então todos nós conseguíamos manter um bom ritmo, eu um pouco mais rápido, rodando uma volta a mais que os três. A minha idéia era aproveitar os momentos iniciais que eu estava melhor para rodar rápido, o mais rápido possível sem chegar ao limite, sem ficar exausto. Por alguns momentos eu pensei em ir bem devagar no sol e descontar a noite, quando certamente seria mais agradável correr. Mas a noite chegaria depois de 5 pernas, uns 30Km, será que depois disso eu ainda teria forças para tirar algum atraso? Eu preferi não correr o risco e forçar mais durante o dia, mesmo com o calor. Tentaria rodar as 16 voltas até quando desse, e quando não desse mais eu rodaria 15, 14 voltas, mas teria uma reserva de voltas para isso. O Issao optou por tentar manter um ritmo constante de 5min/km ou 2 minutos por volta ou 15 voltas por perna, em todas as pernas, até onde agüentasse. O Paulo e Luis pareciam obedecer ao corpo, mais ou menos como eu, correndo num ritmo confortável mas não lento. Isso era o suficiente para que estivéssemos na quarta posição entre as equipes. As parciais da classificação eram dadas a cada hora, o que colocava um tempero muito especial à competição. Éramos a quarta equipe dentre as 8 e começamos a prestar atenção nas demais equipes que nos ameaçavam, ou que podiam ser deixadas para trás. Começamos ali na terceira ou quarta perna de cada um a conhecer os elementos das outras equipes que tinham ritmo semelhante ao nosso.

                    Chegou a minha quarta perna e eu a fiz com certo sofrimento, ainda pegando o calor do dia às 16h. As voltas finais já foram cumpridas meio no sacrifício, na expectativa do final, de ver o Luis Augusto me esperando para a troca. Tirando a primeira perna, quando peguei água oferecida pela organização, eu não tomei água em momento algum durante os 30 minutos de cada perna. A quarta perna eu terminei cansado e já atravessei a pista para pegar água. Havia macarrão, granola, rapadura e um líquido repositor. Eu havia decidido que dali em diante eu me alimentaria sempre no final de cada perna. Fiquei por um tempo no posto de alimentação. Havia muitos copinhos sobre a mesa, os de líquido incolor era água e os de líquido opaco era algum tipo de bebida muito ruim. Um deles, que eu tinha como sendo laranja, era extremamente doce. Havia também copinhos com granola e em um canto da mesa um recipiente com rapadura picada. Dois sujeitos ficavam atrás da mesa, pilotando uma grande panela de macarrão e um garrafão de água de 20 litros. O macarrão era servido em copinhos, havia garfos de plástico para comer, mas muitos apenas pegavam os copinhos e tomavam como se fosse água. Quem mais parava ali eram os ultramaratonistas da categoria individual, acredito que principalmente aqueles que não tinham apoio pois quem tinha apoio não saia das raias centrais. Os atletas de equipes nunca paravam ali, muitas vezes faziam sua perna sem precisar de água, mas se precisassem tinha quem desse água nas margens da pista. Perto do posto de alimentação havia a ambulância e a saída para o sanitário. Eu não precisei do primeiro e fui apenas duas vezes no segundo.



Escrito por Marcos Sanches às 18h19
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Ultra relato 24h - Parte 3

                     Voltei para a tenda e descansei. O tempo virou, parecia que ia chover. A nossa tenda era minúscula, o Marçon viu que aquilo não ia nos proteger em caso de chuva e ajuntou com a nossa uma outra tenda do Habib's, que era de um ultramaratonista, o Agnaldo. A tenda dele estava afastada, quase no meio do campo, e colocando ela junto com a nossa o seu apoio ficava também mais perto da pista. Mas era nosso o maior benefício pois agora tínhamos uma grande tenda para nos proteger.

                    Chegou a hora e fui trocar com o Issao, era minha quinta perna. O Sadao marcava sempre o horário que o atleta iniciava os eu trecho e sabia assim a qualquer momento quanto tempo restava para o próximo atleta entrar na pista. Faltando uns 5 minutos ele nos avisava. Íamos para o posto de troca somente quando o atleta que estava correndo já se encontrava na sua última volta. O posto de troca era um lugar demarcado por uma cerca móvel onde o atleta que corria tinha que sair da pista, tirar o chip e passar para o próximo. Do lado havia uma cadeira e um guarda sol, onde sempre tinha alguém da organização que marcava alguma coisa que não era os tempos das trocas. Ali eu esperava o Augusto para entrar na minha quinta volta, animado pelo tempo que agora esfriava, e também fazia um pouco de vento. O Luis chegou e eu fui. As nuvens densas escureceram o dia mais rapidamente e eu não era mais atrapalhado pela luz do sol. O efeito psicológico era evidente, eu estava nessa perna mais rápido que em qualquer outra. E brinquei nessa perna, corri com o Eber, conversei com ele, disse a ele que o cara na frente que se afastava era de uma equipe adversária, que eu iria buscá-lo, e busquei fácil. Passei vários atletas de várias equipes, rodava rápido e fácil. Os corredores das equipes, que eram bem mais rápidos que os individuais, sempre preferiam a primeira raia, mas era difícil correr só ali. A aglomeração de atletas sempre fazia a gente sair para a segunda, terceira e até quarta raia. Isso acontecia sobretudo quando tinha que passar um atleta mais rápido pela segunda raia que já estava tomada. Acabava-se correndo mais pelos zigue-zagues, mas em momento algum nos importávamos com isso, era insignificante.Nessa perna eu fui forte o tempo todo, e contei as voltas. O Sadao, vendo que eu estava mais rápido do que a média, começou a me informar o tempo de cada volta, que era por vezes abaixo dos 4:50. Quando passava pela 15ª volta, o Sadao informa que faltavam duas. Eu estava cansado e por um momento fiquei revoltado, correria 17 voltas, mas queria sair logo, pensava que sairia na 16. Mas administrei e completei a décima sétima volta de minha perna mais rápida.

                    No final fui novamente para o posto de alimentação, e lá encontrei o Teruo da equipe Tavares junto com sua namorada e a esposa do Roberto, que distribuía macarrão no posto de troca. Conversei um pouco com eles, que estavam de saída pois a noite já ia chegando. Não comi muito ali, me limitei a comer um pouco de granola e me hidratar bem. A alimentação era importante, eu tinha medo de que se não comesse podia ter hipoglicemia. Mas aos poucos fui vendo que o ritmo não era forte o suficiente para isso e que eu só sentiria falta da alimentação no meio da prova se eu comesse realmente muito pouco. A partir daí dei muito mais importância a hidratação, sempre tomando muita água no final de cada perna e comendo pouco para não ter que parar no meio da corrida. A granola, a rapadura e os biscoitos que tinha ali eram suficientes para mim, eu estava me dando bem com essa alimentação, não pesava no estômago e eu corria bem. Já não comia mais nada na tenda.

                    A sexta perna era a das 20 horas e foi totalmente diferente da quinta. As pernas pesavam, não iam, estavam exaustas. O tempo todo eu tive que administrar um ritmo de mais ou menos 5min/km o que me decepcionou e me preocupou. Terminei a perna cansada, havia ainda mais 6 pernas e eu estava mal, so poderia me arrastar dali pra frente, não desistiria mas também provavelmente não teria mais o prazer de correr forte. Nesse momento a nossa competição com as demais equipes começou a ficar interessante, estávamos em quinto lugar muito perto da quarta colocação. Nos desdobrávamos para estudar as outras equipes. O Issao e o Paulo impressionavam pelo bom desempenho, o Paulo particularmente rodava fácil abaixo dos 2 minutos por volta. O Eber já se encontrava na primeira posição de sua categoria e nona posição no geral. O Sadao e a Sally o apoiavam com dedicação tamanha que por hora, concentrados em nossa disputa, esquecíamos que o Eber também tinha a disputa dele, e era grande. Ele havia colocado muitas voltas no segundo colocado e fazia de tudo para administrar a vantagem.



Escrito por Marcos Sanches às 18h18
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Ultra relato 24h - Parte 4

                    Entrei às 22h para a minha sétima volta que não foi muito melhor do que a sexta, mas então percebi que podia não conseguir ser muito rápido como antes, mas conseguia administrar o ritmo e rodar pelo menos 15 voltas nos 30 minutos. Eu perseguia nesta perna a equipe 88 que estava em nossa frente, pois o atleta deles que corria naquele momento comigo, era bem lento e eu podia colocar pelo menos duas voltas nele. Até que, quando eu tirava mais uma volta de vantagem da equipe 88 sobre nós, o atleta deles entrou para fazer a substituição por um atleta bem mais rápido. Eu fiquei na hora revoltado,pois pelo regulamento não podia ser feita a substituição com menos de 30 minutos. Ora, se o atleta deles tinha entrado umas duas ou três voltas antes do Issao sair, o que dá uns 6 minutos, então ele teria que sair no mínimo 6 minutos antes de mim, ou seja, quando faltassem 3 voltas para eu deixar a pista, ou menos. O fato é que ele saiu quando ainda faltavam uns 10 minutos ou mais para eu completar a minha meia hora. Eu fiquei revoltado e gritei para o Sadao que eles haviam trocado antes dos 30 minutos mínimos, mas o Sadao não conhecia o regulamento e não entendeu a minha reivindicação. Eu não pude fazer nada e segui. Umas 3 voltas depois o atleta 88 me passou, ele estava num ritmo pouco acima do meu, mas eu não podia fazer nada, faltava perna para correr rápido. As últimas voltas desta sétima perna foram difíceis, mas era possível manter o ritmo, eu terminei novamente bem cansado. Nesta perna eu comecei a sentir uma pequena dor na panturrilha, que de tão pequena mal chamou minha atenção. Foi nesta sétima perna que eu completei a minha maratona, e passei a ser ultramaratonista, mas não soube quando porque não tinha marcado as voltas que corri. Um de meus objetivos, o de completar a maratona em menos de 3h26m, meu melhor tempo em maratona, eu não tive certeza se atingi. Apesar de que terminei a sétima perna com 3h30m mais ou menos, tendo corrido praticamente todas as pernas com 16 voltas, o que garantiria o tempo. O problema é que como não contei as voltas de várias pernas não há como comprovar o tal feito. Minha esperança é que a organização ainda dê o tempo das equipes por volta. Os três, diferente de mim, sabiam exatamente quando completaram a maratona e festejaram este momento, um em seguida do outro!

                    Mas ao terminar a sétima perna eu não pensava em ultramaratona, nem em maratona, nem em nada, pensava na equipe 88 que trocara antes do permitido. Conversei com o Sadao e percebi que ele também tivera a impressão que o atleta saíra com menos de 30 minutos, mas não sabia que isso era contra o regulamento. E pior, mesmo assim o Sadao queria que eu deixasse isso pra lá e deixasse a equipe competir. O Sadao tinha um bom coração, mas a questão não era essa, era a de seguir as regras. Eu fui logo na menina que ficava no posto de troca dizer que eu achava que a equipe 88 tinha cometido uma infração ao o regulamento. Ela disse que estava controlando o tempo e que eles fizeram certo. Era conversa, eu fiquei quieto para não brigar com ela, ficava claro para mim que existia o regulamento mas a organização estava disposta a fazer vistas grossa para evitar constranger uma equipe com a desclassificação. Mas é justamente fazendo vistas grossa às regras que a organização cria ambiente para desentendimentos e insatisfações. Saí dali e vi o Bernabeu, fui falar com ele. Ele viu que eu estava revoltado e se dispôs prontamente a me ajudar. Foi prontamente conversar com a garota do guarda sol e descobriu fácil que ela não tinha nada marcado,simplesmente era impossível conferir o tempo das trocas das equipes. O assunto se espalhou e o locutor advertiu as equipes que seguissem as regras, caso contrario seriam desclassificadas. O Bernabeu disse que marcaria ele mesmo o tempo das trocas, para eu ficar tranqüilo. Eu voltei para a tenda ainda revoltado.

                    Quando entrei para a minha oitava perna, a da meia noite, já sentia a dor leve na panturrilha. Segui administrando o ritmo, sem conseguir correr muito forte, mas com ritmo suficientemente forte para que apenas as equipes 82 e 83 me passassem, estas eram as duas equipes líderes que tinham desempenho muito superior ao nosso, tão superior que sequer pensamos em alcançá-los. Ainda passava o atleta 88, que na minha vez era sempre o mais lento deles. O meu ritmo ainda era bom. A temperatura estava baixa e caia uma garoa intermitente que por vezes ficava mais forte, virando chuva fina. Essa situação do clima, que começou pelas 9 ou 10 horas, continuou noite adentro até o clarear do dia seguinte. Nas últimas voltas dessa minha oitava perna eu já sentia muito a dor na panturrilha. Depois de terminar e ficar um pouco no posto de alimentação sob e a chuva fina e o frio, o corpo esfriou e a dor piorou bastante, eu já andava mancando. Fiquei indeciso, sem saber o que fazer, pois ainda me faltavam 4 pernas. A dor era tal que eu sabia que seria complicado voltar a correr, e por outro lado, voltar a correr podia ser uma irresponsabilidade, eu podia piorar muito o que quer que fosse que eu tinha na perna. A Lika e o Sadao me obrigaram então a ir para a sala de fisioterapia.



Escrito por Marcos Sanches às 18h17
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Ultra relato 24h - Parte 5

                    A sala de fisioterapia, ou de musculação, ficava do lado de fora da pista e até então eu nem sabia que ela existia. Mas a Lika e o Sadao sabiam e me obrigaram a ir. Era um salão grande com muitos aparelhos de musculação. Lá dentro muitos atletas, principalmente da categoria individual, tentavam cuidar de suas dores. Os atletas, deitados no chão, eram massageados ou alongados pelos fisioterapeutas. Cheguei mancando e fui prontamente atendido. Pediram-me para retirar o tênis, que estava todo molhado. Eu tirei e deitei de barriga para cima, no que um sujeito começa a fazer alongamento nos músculos da panturrilha. Era algo muito leve para ter efeito. Como eu ainda tivesse bastante tempo, ele sugeriu depois colocar gelo, o que eu aceitei. Deitei de barriga para baixo e ele colocou gelo sobre o local que doía na perna direita. Tudo isso sem fazer nenhum exame, nenhum toque para ver o que tinha acontecido, se era músculo ou tendão, o sei lá o que. Fiquei um tempo deitado com o gelo e cheguei a cochilar, pois era madrugada e eu ainda não tinha dormido nada. Quando foi retirado o gelo, a perna estava fria e a dor mal deixava eu andar. Voltei devagar para a tenda. A Lika logo viu que a tal fisioterapia tinha sido pior, e começou a tentar aquecer um pouco a parte dolorida com massagem e fricção de calminex. Quando ia chegando a minha vez de correr eu já estava bem melhor, querendo ir pra pista, quase sem mancar, mas a galera foi unânime em não me deixar participar. Obrigaram-me a dormir um pouco para ver se melhorava. Enquanto isso os três correram pernas de 40 minutos e eu fiquei de fora.

                    Eu entrei na barraca do Cupim para deitar um pouco e a Lika também entrou e continuou massageando a perna. Mas a intensidade da dor indicava que algo mais sério tinha acontecido, não era uma massagem que ia fazer ficar bom, provavelmente eu sentiria dores por dias e inclusive tinha receio que nos dias seguintes eu ia sofrer bastante porque é sempre assim, depois é que a gente vê o tamanho do estrago. Eu fui para a barraca meio inconformado, me imaginando tendo que correr 40 minutos como os três iam fazer. Os 10 minutos a mais seriam bastante penosos. Naquela altura da corrida, meia hora era um tempo já longo que demorava a passar. Começávamos a correr descansados, mas com as pernas já pesadas de tanto que já tínhamos corrido nas vezes anteriores. Até lá pela sexta ou sétima volta ia bem, mas da décima em diante a gente já se arrastava, já fazia um esforço imenso para não deixar o ritmo cair, procurando se distrair com os ultramaratonista da prova individual, ou perseguindo um atleta de outra equipe. E era por ali, com 10 voltas que já começávamos olhar no relógio calculando a distância que estávamos do final. Com 14 voltas o cansaço já batia forte, as pernas pesavam muito e eu já começava a contar de 100 em 100 metros. A galera, que quase sempre incentivava quando passávamos pela reta da largada, era geralmente o apoio e não tinha idéia da nossa situação. Fazíamos força para fazer bonito, mas ali, com tantos Km rodados, pouca coisa restava. E o que nos movia, e fazia com que cada um quisesse sempre enfrentar seus 30 minutos, e os vencesse bem, rápido era o espírito de equipe, a vontade de ser ultra, de competir com as outras equipes sem entregar os pontos. A adrenalina, a emoção, a ansiedade, tudo isso nos fazia sermos maiores do que nossas dores e nosso cansaço. E a última volta de cada perna, aquele que começava com 28, 29 minutos, esta não era tão difícil. O Sadao avisava que era a última volta e já ali sentíamos o alívio futuro do momento da parada. E a última volta era rodada metro a metro pensando em seu final, às vezes até forçando mais para sentir logo o alívio da troca. No final da volta a visão do colega nos esperando era o melhor momento. Ele agora carregaria a cruz e seguiria firma por mais meia hora, tempo em que sempre a vontade venceria a dor e o cansaço. Mas não tivesse o colega ali no posto de troca e nos esperassem mais 10 minutos de prova, míseras 5 voltas, o que faríamos? Seria duro, o ritmo despencaria, as pernas latejariam e aí mesmo à vontade, o incentivo e o que mais houvesse não nos tirariam o sofrimento. 10 minutos era muito naquela hora, tanto que se o tempo fosse de 40 minutos, era preciso já entrar na pista com planejamento para 40 minutos, possivelmente mais devagar. Eu sabia disso, e não só estava inconformado pelos três que correriam 40 minutos cada, mas tinha receio de que isso os desgastasse muito, fizesse a equipe perder posições. E nesse momento a dor de estar sendo a causa disso chega a ser maior do que a dor física. Deitado na tenda dei uma cochilada, mas foi pouco, logo acordei e estava muito disposto a entrar na pista, acontecesse o que acontecesse.

                    O Issao estava também dentro da barraca descansando quando eu saí decidido a correr. Entraria depois do Paulo e faria o que fosse possível para pelo menos não perder muitas posições. Eu estava convencido que mesmo se eu não conseguisse correr bem, pelo menos umas 10 voltas eu conseguiria fazer nos meus 30 minutos e daria um pouco de tempo para o pessoal descansar. Saí da tenda mancando um pouco, estava frio e garoando, tentei trotar na grama e a perna doia bastante. Fiquei meio por perto do Sadao pois ele sabia qual seria o momento da troca. Quando chegou o momento, eu fui para a área de revezamento esperar o Paulo. Eu teria que suportar 30 minutos, arrumar um jeito de correr porque se eu andasse muito poderíamos perder posições. O Paulo chegou, eu peguei o chip dele e comecei a correr.



Escrito por Marcos Sanches às 18h16
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Ultra relato 24h - Parte 6

                    Era difícil impulsionar o corpo com a perna esquerda por causa da dor no músculo, então eu tentava usá-la apenas como apoio dando o impulso com a perna esquerda. Eu dei duas voltas assim, mancando bastante e entreguei a blusa par a Lika na beira da pista, então tentei correr mais forte. Corri por uns 200m e então a dor foi tão forte que eu tive que parar e caminhar. Eu sentia que tinha muita força para correr forte, para fazer bonito, mas a perna doía muito. Depois de andar um pouco eu voltei a correr devagar e foi assim por mais umas duas voltas até que eu tentei forçar de novo. Era enorme a vontade de correr forte, abaixo dos 5min/km. Mas corri por pouco tempo, aquela dor intensa retornou e eu tive que caminhar, quase me jogando no chão porque essa era a vontade. Caminhei só um pouco e voltei a correr. Eu já devia estar na oitava ou nona volta quando  devagar eu fui aumentando o ritmo e consegui! A perna doía mas não tanto, era suportável correr forte e eu mesmo machucado rodava abaixo dos 5min/km.

                    Não sei quantas voltas fiz nessa perna, mas não estava tão exausto no final. Cheguei a pensar que devia fazer mais umas 3 ou 4 voltas para retribuir os 40 minutos que os três haviam corrido. Mas não fiz isso, parei. Sentia um pouco de dor para andar mas não era muita. Fui de novo para o local de alimentação. Eu já não comia muito, procurava apenas em me hidratar bem. Chega uma hora que não temos mais vontade de comer nada, tudo parece muito enjoativo. Eu me limitava a comer um pouquinho de granola ou rapadura para garantir que não ia ter hipoglicemia. O ritmo da corrida já não tinha como ser muito forte, o que me dava segurança de que não precisaria comer muita coisa.

                    Seguiram o Issao, o Augusto e o Paulo, em pernas normais de 30 minutos, enquanto o dia ia ficando claro, mas o frio continuava a chuva ainda intermitente. O Issao e o Paulo seguravam bem o ritmo, talvez não corressem mais com muita facilidade, mas continuavam rápidos. O Augusto já sentia mais, ou pelo menos era mais aparente o seu cansaço, mas ele jamais deixou de encarar e fazer bem sua perna. A verdade é que todos estávamos bem cansados, mas era evidente que algo agradável havia que era maior do que o cansaço. Continuávamos competindo com as demais equipes, agora a terceira colocada tinha perdido muito rendimento e caído para quinta posição e tentávamos manter a quarta posição. Ao mesmo tempo em que nos preocupávamos com a quinta equipe, tentando deixá-la cada vez mais para trás para garantir a quarta colocação, ficávamos de olho na terceira colocada que não estava longe. As duas primeiras equipes (83 e 82) eram muito mais forte que todas as outras, sendo que a 83 estava bem na frente da 82, equipe do Bernabeu. Eles teriam que quebrar feio para que pudéssemos passá-los, mas nesse momento nem isso seria suficiente. Depois vinha a equipe 88, da Faculdade Anchieta, nós, e a equipe 84 da Find. Essas três equipes tinham nível muito parecido, e sempre estiveram muito próximas a prova toda. A 88 tinha atletas muito rápidos, mas um dos quatro era lento, eu colocava duas a 3 voltas nele. Os outros 3 eram rápidos e descontavam o atraso do mais lento. Assim a 88 que começou atrás da gente nos passou e ficou ali na frente, sem conseguir colocar muita vantagem sobre a gente e sem que a gente conseguisse nos aproximar deles. O Sadao torcia muito por nós, dizendo que eles estavam rápidos demais e podiam quebrar, mas a verdade é que não conseguíamos chegar neles. Já a equipe 84 da Find tinha ficado quase a competição toda na terceira colocação. Segundo o Fernando, técnico deles, eles começaram me marcando porque imaginavam que a gente fosse bem forte, visto nosso desempenho em Bertioga-Maresias. De fato estávamos ali com a mesma equipe, mais o Luis Augusto. Eu notei que o atleta deles não largava do meu pé e por um momento fiquei com raiva dele porque ele me atrapalhava correr, muitas vezes me fazendo correr na raia 2, dando uma volta maior. Mas foi só naquela primeira perna, não sei qual foi o desenrolar das coisas depois, mas parece que estávamos em terceiro lugar nas primeiras parciais, caindo depois para quarto e quinto. E a equipe 84 tomou o terceiro lugar para ficar com ele até o final. Na madrugada, enquanto o Sadao nos incentivava a alcançar a 88 o Augusto chegou a comentar que seria mais fácil pegar a 84, pois eles estavam caindo de ritmo. E de fato já amanhecendo o dia, faltando umas 4 ou 5 horas para o final, a 84 caiu rapidamente para quinta posição e ficamos em quarto, vibrantes. Era para nós uma enorme conquista o quarto lugar! Segundo o Fernando, dois atletas da 84 sentiram cãibras, o que prejudicou muito eles. Mas nenhum de nós sentimos cãibras, que na minha opinião é um sintoma de despreparo, nesse caso melhor dizer, esforço muito maior do que aquele para o qual o atleta estava preparado. Possivelmente eles erraram na estratégia inicial, correndo mais forte do que deviam. Para alcançarmos a terceira posição, e sermos os melhores dentre as equipes, digamos, não elite, precisávamos que algum atleta forte da 88 diminuísse muito o ritmo por algum motivo, o que não aconteceu. Na sexta posição, atrás da 84 ia a 85, também da Find. A 85 não era tão lenta, mas era sistematicamente mais lenta que a gente, o que fazia com que eles iam tomando volta da gente de forma lenta, a agora já estavam a mais de 20 voltas atrás. Na fase inicial da prova nos preocupamos um pouco com eles, até perceber que com o tempo a gente só colocava vantagem, não era preciso se preocupar, era preciso apenas não quebrar. Atrás da 85 vinha a 81, Magna Velox, que ficaram bem atrás desde o inicio e por várias vezes eu vi o atleta deles caminhando na pista      . Até o final eles ficaram mais de 100 voltas atrás da gente. A última, que terminou a apenas duas voltas da penúltima, era a equipe 86 da Find, uma equipe feminina. Elas pareceram estarem sempre correndo e com desempenho muito bom, levando desvantagem ali por serem uma equipe feminina. No final, se não me engano, elas estavam rápidas, possivelmente tentando alcançar a equipe 81 que estava muito perto. Este era o cenário da prova quando o dia amanheceu.



Escrito por Marcos Sanches às 18h15
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Ultra relato 24h - Parte 7

                    Fui para a minha última perna, que eu pensava ser a penúltima, embaixo de uma chuva fraca e fria. Peguei o chip do Paulo e tentei sair forte. Mas nessa minha décima perna eu mal conseguia correr, e mancava muito. Ainda assim eu conseguia seguir firme, não só as equipes concorrentes não me passavam, como eu passava fácil o atleta da 88 que sempre coincidia de ser o mais lento quando eu estava na pista. Com 4 voltas eu tirei a blusa e entreguei para a Lika, estava frio e chovendo um pouco, a pista muito molhada, cheia de poças de água que na verdade eram meio que lagos pois a pista era boa, mais ou menos nivelada, impedindo a formação de poças fundas. Eu freqüentemente não desviava destas partes alagadas para não sair da primeira raia, e acabava molhando muito o pé. Depois da quarta volta, ao retirar a blusa, eu já estava aquecido e conseguia correr bem apesar da dor. Quando entreguei a blusa para a Lika, o atleta da equipe 83 tinha acabado de me passar, mas ele não ia rápido como no começo da prova, era possível acompanhá-lo. Sentindo-me livre da blusa molhada, eu forcei e 100 metros depois passei o atleta 83 para ficar na frente dele por duas voltas. O ritmo era forte, devia estar perto dos 4:30min/km e naquela altura da prova eu não conseguia suportar esse ritmo por muito tempo. Senti que me desgastava muito seguindo daquele jeito e ia quebrar feio. Antes que isso me acontecesse diminuí, ele me passou, eu continuei um pouco atrás dele mas fui diminuindo gradativamente e até seguir bem mais devagar. Eu podia até superar a dor, mas realmente não havia muitas forças para correr forte. E por toda essa perna eu corri bem, sentindo a dor mas não tão intensa, talvez lutando mais contra o cansaço do que contra a dor. Nenhuma equipe me passou a não ser a 82 que deve ter me passando umas 3 vezes e a 83, aquela que eu corri duas voltas na frente, acabou me passando nas últimas voltas, colocando mais uma volta de vantagem sobre nós nessa minha perna. Mas não nos preocupávamos com estas duas equipes, razão pela qual eu me sentia satisfeito com meu desempenho, inclusive coloquei quase duas voltas na 88, cujo atleta ia bem lento. Quando entreguei o chip para o Issao eu estava um caco.

                    Ainda chovia fraco e fazia frio, eu me hidratei, comi algo, fiquei um pouco por ali enquanto estava aquecido e depois fui para a tenda. Lá me sentei em uma cadeira do Sadao com as pernas sobre um banco, no alto. A minha blusa estava molhada então eu coloquei uma blusa branca daquelas que eu ganhei da Corpore. Não sentia fome e sentia um pouco de frio, motivo pelo qual preferi ficar ali a sair da tenda. A Lika pouco depois cobriu minha perna com a blusa que eu tinha corrido e que estava bastante úmida. Uma garota, que eu esqueci o nome e que estava ali com a gente, com sua tenda unida à nossa, dando apoio ao Agnaldo Sampaio, muito gentilmente me cobriu com um cobertor. Sentindo-me confortável, eu fiquei ali, longe do vento e da chuva fina que caia. Ainda correria mais uma vez, o meu desempenho na décima perna fez com que eu ficasse um pouco mais animado para correr a próxima e última perna. Fiquei ali todo o tempo e só me dispus alevantar quando faltava uns 10 minutos para a minha vez. Eu estava bastante cansado, querendo uma cama mais que tudo, mas tinha que sair dali para correr pela última vez.  Tirei devagar o cobertor, e o coloquei sobre a cadeira onde pouco antes a Sally estava sentada. Todo descoberto eu coloquei o pé no chão e me levantei, com aquele corpo duro natural de quem já correu mais de 50 ou 60 Km. O corpo travado não foi o problema, mas a dor que senti na perna sim. Eu mal consegui andar, saí para fora da tenda e ensaiei um trote, não dava. Andei para lá e para cá, mancava muito, doía muito, eu me preocupei, não sabia o que fazer, como eu ia correr se mal conseguia por o pé no chão? Fiz as contas. O Paulo rodava na pista. Eu faria meus 30 minutos, o Issao entraria em seguida com mais 30 minutos e o Augusto idem. Sobrariam apenas uns 15 minutos para o Paulo, ou seja, o Paulo praticamente não correria sua décima segunda perna. Se eu ficasse sem correr e os 15 minutos fossem divididos entre os três, as coisas não mudariam muito para eles. Eu estava sem condições, conversei com o Augusto, expus meu plano, e fomos acordar o Issao. Eu não correria, pulando minha vez, o próximo seria o Issao. Pedimos ao Paulo que desse uma volta a mais, o Paulo aparentava estar muito bem e rodava forte. A volta a mais era para que o Issao conseguisse acordar direito e dar um pulo no banheiro. Entrou o Issao para correr um pouco mais do que o usual, talvez uns 35 a 40 minutos, depois dele o Augusto faria 30 minutos e o Paulo correria uns 40 a 45 minutos até o final da prova. Eu fiquei de fora, a prova tinha se encerrado para mim. Mas então não voltei para a tenda, fiquei a li na beira da pista torcendo pelos nossos atletas e pelo Eber que a essa altura tinha um desempenho fenomenal.



Escrito por Marcos Sanches às 18h14
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Ultra relato 24h - Parte 8

                    O Eber estava no meio da noite em primeiro lugar de sua categoria. Na única vez que conversei com ele, estava preocupado pois o atleta que vinha em segundo não parava e ele se sentia já cansado. Pouco tempo ele parou, apenas comeu um macarrão quente, se hidratou, colocou roupa seca e deitou um pouco. Mesmo na tenda comendo, deitado, trocando de roupa ele ficava de olho no segundo colocada que estava a mais de 10 voltas atrás dele. O Eber era como poucos determinado. Ele faria tudo para segurar aquela primeira posição. A sua concentração na prova era máxima, ele pouco conversava. Voltou logo para a pista, e manteve-se em movimento o tempo todo, ora andando, ora trotando, ora correndo mais forte. Quando ele corria forte ele chegava a ser mais rápido que a gente que corria em revezamento. Durante a madrugada a Sally se desdobrou em carinho e cuidado com ele. Com a tranqüilidade dada pela dedicação da Sally e a ansiedade causada pela nossa competição com as demais equipes, e ainda o próprio cansaço, eu pouco acompanhei o Eber durante a madrugada. Fiquei sabendo meio subitamente agora já a três horas do final que ele não estava mais em primeiro da categoria, mas em quinto do geral!!! O Eber tinha colocado já várias voltas no sexto, e não bastasse isso seguia muito forte, mais rápido que várias equipes. Seria porem muito improvável que ele alcançasse o quarto colocado pois este estava a uns 10 Km na frente, o que era uma distância considerável, e não estava parado. O Eber ainda assim seguia forte. Quando o Paulo entrou na pista para os 45 minutos finais, eu me encontrava ali tomado de expectativa assistindo a prova. O Paulo rodava forte e nos causava admiração e certeza de que o quarto lugar estaria garantido. Mas não bastasse isso o Eber rodando forte causava ainda mais espanto. Era como se ele fosse um atleta de alguma equipe e ainda estivesse bem, não parecia que ele já tinha rodado mais de 20 horas, com mais de 150 Km nas pernas. Eu e toda a turma incentivava muito o Eber, o Bond e o Paulo. O Bond também corria dando show, mas não tão forte quanto o Eber. O tempo passava e o Eber sustentava a velocidade, infelizmente ele estava longe demais do quarto colocado.

                    Faltando ainda uns 25 minutos para o final entrou na pista uma banda que começou a tocar. Os atletas então passavam na frente da banda, alguns começaram a se exibir, plantando bananeira ali, ou correndo com a bandeira do Brasil. Vários ultramaratonistas da categoria individual estavam correndo mais forte agora, como se tivessem ganhado forças com a alegria do final do evento que se aproximava. E aqueles minutos finais foram uma confraternização geral mais do que uma corrida. Os atletas davam show na pista e aqueles que não disputavam posições se deliciavam com o momento. A alegria e a emoção eram gerais, o pessoal de apoio foi para a beira da pista cada um incentivar e mais que isso, festejar a passagem de seu atleta e a corrida virou uma festa onde se percebia a emoção principalmente nos ultramaratonistas individuais. As voltas e os minutos passaram um a um e então chegou o final, a banda parou, a corrida acabou. Cada atleta sentou no chão onde estava ao redor da pista e foi uma correria do pessoal de fora, cada um procurando seu atleta para abraçá-lo e festejá-lo. Eu fiquei por um momento perdido, tentando ver se eu conhecia algum atleta que parou por ali na minha frente. Vários atletas deram um sprint, tentando ou chegar um na frente do outro ou fazer a maior distância possível. De repente eu notei que a galera não estava mais por ali, e vi o Issao quase no meio do campo correndo para o outro lado, em direção a onde eu julguei devia estar o Paulo. Eu tentei correr também mas estava complicada, a perna doía, então fui mancando o mais rápido possível. Do outro lado da pista estava o Paulo sentado no chão, e todo mundo se abraçando, festejando, e eu claro, entrei no meio. Tinha se passado 24 horas de competição e estávamos todos ali cansados mas muito felizes, fazendo uma festa por termos terminado e cumprido talvez o maior desafio de nossas vidas de corredores.

                    Depois das fotos eu fui com o Rodolfo para o outro lado procurar o Eber, que or ironia estava bem perto do pórtico que marcava as voltas mas eu não tinha visto. Havia muitos corredores por ali, todos festejando muito, o pessoal se abraçando emocionado, e mesmo pessoas que eu nem conhecia vinham me cumprimentar. O Eber se derretia em felicidade, muito emocionado, sentado no chão, tentando assimilar a grandeza do momento e de sua conquista. Estávamos sem palavras, apenas ríamos e dávamos os parabéns para ele.



Escrito por Marcos Sanches às 18h13
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Ultra relato 24h - Parte 9

                    Logo começou a volta olímpica, onde todos os atletas deram mais uma volta juntos, unidos agora a seus apoio, e o que se viu foi uma grande multidão caminhando pela fila para completar uma última de tantas voltas que cada um havia dado ali por tantas horas. Eu ia junto com o Paulo, Issao e Augusto, o Eber vinha mais atrás, ele estava muito bem, caminhando normalmente, feliz. E todos aqueles corredores juntos festejando um desafio que havia começado no início do dia anterior foi das maiores festas que eu já vi, das mais autênticas, das mais emocionantes.

                    Terminada a volta começou a premiação, primeiro com medalhas distribuídas uma a uma a todos as atletas cujos nomes eram cantados no microfone. Mais um pouco e chegou a hora da premiação geral, primeiro o Eber recebeu seu troféu de quinto colocado na categoria geral e depois nós fomos todos nos espremer no pequeno espaço do podium para receber nosso troféu de quarta colocação, o mais importante troféu dos poucos que tenho.

                    Para coroar a ultramaratona, vimos a grande atleta Maria Auxiliadora quebrar o recorde brasileiro e sul americano de distâncias em corridas de 24 horas, e ainda vencer todos os atletas masculinos percorrendo 213 Km, quase 4 Km a mais que o primeiro colocado masculino! A nossa equipe fechou o revezamento com 280 Km, 3 Kms atrás da equipe que ficou na terceira colocação e 8 Km na frente da quinta colocada. Falando em números aproximados, o Paulo foi o que mais correu, com cerca de 78Km, seguido pelo Issao, com 71Km, o Augusto com 68 Km e eu com 63Km. Acredito que todos menos eu correram bem mais do que o esperado. Eu comecei rodando forte e planejava ter uma média final de 5min/km, terminando com 72 Km as minhas 6h. Até a décima perna acredito que consegui manter a média de 5min/km, segundo os números acima calculados pelo Issao o ritmo até a décima volta foi bem mais rápido que 5min/km, de outra forma teria dado em torno de 60 Km apenas. Imagino que o Augusto, com 68 Km tenha sido um dos mais satisfeitos com seu desempenho pois nos treinos ele falava apenas em ser ultra, ou seja, rodar mais de 42Km, parecendo não acreditar que podia chegar nos 60 Km... O Issao e o Paulo eu não sei o que pensavam antes da prova, mas ambos começaram em ritmo para chegar nos 70 Km e conseguiram. Eu sempre estive muito confiante, acreditando que podia rodar muito mais que 42 Km com os descansos de meia hora, e realmente isso aconteceu, mas eu não esperava que pudesse me machucar justamente nesta corrida, depois de tantas que eu tinha corrido neste ano. De qualquer forma valeu muito a emoção, a superação, o desafio vencido!

                    Agradecimentos especiais nesta corrida vão para o pessoal de apoio - Sadao, Lika, Marçon e Sally - que se dedicou muito pela gente, o pessoal que foi lá para incentivar - Rodolfo, Toinho, a galera do Tavares, Cupim, Claudia - e acabaram nos ajudando muito, ao pessoa da Nossa Turma que sempre torceu muito pela gente e aos organizadores que nos proporcionaram inesquecíveis momentos com uma prova muito bem organizada e com sua dedicação!



Escrito por Marcos Sanches às 18h13
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Galera,depois de um bom descanço merecido,estou aqui pra compartilhar com vocês algumas coisas dessa ultra de São Caetano,mas eu tenho muita coisa pra falar e tal,então eu vou dividir o meu relato em três partes,nessa primeira vou agradecer a todos que de alguma forma me ajudaram,espero não esquecer de ninguem,mas se isso acontecer espero lembrar depois,e mesmo se eu não lembrar,espero que as pessoas que eu esqueci saibam que eu não tenho uma memória muito legal e tal,mas qm estava comigo nessa sabe que eu corri cada kilometro com vocês no coração.

Eu não teria chegado aonde cheguei se não fosse por vocês,se não fosse pela ótima equipe de apoio que eu ganhei no dia da prova.

O meu agradecimento eh grande em favor da Sally que penou comigo alí as 24 horas direto,não imaginei que elea ficaria o tempo todo que ficou por lah.Em certo ponto da prova e me senti obrigado e fazer e dah oq tinha de melhor soh pelas pessoas que estavam alí me apoiando e pelas que eu sei que mesmo não estando lah por algum motivo estavam em suas casa ou qlqr outro lugar torcendo por mim.

Marçon,sem palavras,se não fosse por ele,com certeza eu teria "quebrado" jah nas primeiras 12 horas,mas graças a paciencia,e estratégia e calculos dele eu consegui me dah super bem.

Cupim,que jah estava lah mesmo antes de eu chegar,o cara nem ia correr e jah estava lah desde cedo,um cara que sempre me ajudou muito desde qnd o conheci,e nunca mediu esforços pra me ajudar.

2 caras que me colocaram no mundo das ultras eh que eu não esqueço,são ele:Bond e Edú,que naquela ida pra Aparecida,apesar de qlqr coisa me ensinaram muito e me mostraram que eu tenho resistencia e dedicação pras ultras.

Depois de bater em muitas portas atraz de pelo menos a grana da inscrição na prova,e soh tomando não como resposta,um amigo da "Nossa Turma"que correu comigo mas na categoria equipes lah na ultra,chegou pra mim e falou:"Cara,me dah seus dados que eu faço sua inscrição!"Não fosse por ele e eu não teria nem corrida essa prova,ateh pq eu não tinha falado pra muita gente que pretendia corre-la,mas enfim,eu tenho um agradecimento muito especial pra essa pessoa que eu considero muito e torço muito pelo seu sucesso profissional tbm.Apesar de ele não postar muito por aqui,hora e outra ele estah aqui pelo fórum tbm.

Agradeço a toda organização da prova e voluntários que lah estavam,em especial um voluntário muito conhecido entre nós corredores chamado café,que desde que soube que eu correria me dava a maior força e tal,desde os primeiros treinos lah no pq.do piqueri e tal,um cara que sempre acreditou em mim e que não se surpreendeu qnd me viu em 5° no geral,ele foi o unico,eheheh...

Quero agradecer tbm a vários atletas na prova que me ajudaram muito tbm,me incentivando e dando uns toques e tal,um rapaz chamado luiz me ajudou muito durante a prova,tipo,"vai mais devagar senão vai quebrar","o cara da tua categoria tentará te pegar",eheheh...me ajudou bastante.mas dentro da pista mesmo,na prova,tirando os apoios,oq mais me ajudou mesmo foi o Bond,me avisando ql era o horário que seja critico e tal,qnd eu deveria disparar,pra eu não dah tiros,ter paciencia,marcar adversários e tal.Uma família de Sto.André me ajudou muito tbm,família que agora estah maior,tia clau,yonara e cupim,que se não levasse a sua barraca estariamos fritos,alias,afogados.jack,catimbrino e cinthia.

Tony,sempre me dando aquela força em todos os desafios que eu entro.Soninha e Petre,que me ajudou muito com as roupas especias pra ultra.Nelson pai do fórum que me fez conhecer toda essa galera.Torrini,ultraregis.Grande professor Agnaldo da runtech que me ajudou em algumas táticas na madrugada e na chuva e que desde que me conheceu lah em Itapety vem sempre me dando aquela força.Taffa,pietro e Keli,essa família tbm que muito me ajuda e incentiva.Tiago e Dafne.Galera de campos do jordão,em especial do Parque Estadual,grande leão da montanha Fabricio e Emerson.Ivo cantor que apesar de eu não conhecer sei que queria muito estar lah pra torcer por nós.Furacão César,que tbm sempre acreditou em mim.Equipe Marcorrer que apesar de não acreditar muito em mim nessa prova,sempre teve aqueles atletas que sempre botaram muita fé em mim,entre eles Valdir,Walquiria Milaine,Pinguim fotógrafo,gêmeas,Renatinho,Rafa Paulino e equipe em geral.

Agradecimento muito especial a família Marçon de São Bernardo,e família Lattini.

Galera do parque do Piqueri,muitos eu não conheço por nome,mas...Pio,Alencar,Rui Fábio e etc.Galera do orkut,das comunidades de corrida em geral.Carioca ultra, e os dois Edú's da Corbom de Guarulhos.Drika e Rei,um dos corredores em que eu sempre me espelhei.Orlandinho,grande pequeno(vice-versa)irmão na fé.Beto e Beta que sempre estiveram comigo em momentos importantes,nasciemnto do Jacques,primeiro pódiume tal,ehehehe...

Hélio,grande guerreiro que a tempo brigou com uma contusão e nunca jogou a toalha,um exemplo pra mim. PC e esposa.Roberto de Mogi,um dia ainda vou nessa trairagem aê.De Mogi tbm,Toinho,grande amigo que sempre tah junto.Claudinha de Chile,holllla!Tamim e família.

as crianças que serão o futuro,Jacques,Pedrinho,Solano,Gabí,Renato,Natália e Júlia.

Agradeço tbm ao grande irmão Sidnei Fortyfive,sempre me apoiando em tudo.

Rodrigo e namorada,sempre dando aquela força.

Galera NOSSA TURMA que desde que me conheceram sempre me apoiaram e acreditaram em mim e no meu potencial.Marcos Sanches grande chefe,Issao,Ítalo,Sadao,Rodolfo Lucena e Eleanora,Lika,Paty e Vivi,Anselmo,Leo,Angel,Betânia,Renato,Luis e família,Paulo Nog, e galera NT em geral.

Repito oq jah falei ou escrevi em algum lugar:Eu não conseguiria chegar aonde cheguei se não fosse a ajuda de todos vocês,em especial a galera NOSSA TURMA e a galera que me apoiou durante toda prova e alguns momentos.Sally,Marçon,Equipe Nossa Turma e apoio,Sadao,Lika,Toinho,Rodolfo e toda galera que estava lah.

Minha família que apesar de não entender nada de corrida sempre me apoia em todas as minhas empreitadas.Daniela e Jacques,2 presentes que Deus me deu.

Enfim,espero não ter esqueciso de ninguem.

O agradecimento maior e para o meu Senhor Jesus Cristo que me deu esse talento,a minha força vem dEle.

OBRIGADO A TODOS QUE ME AJUDAM E TORCEM POR MIM!

Éber!



Escrito por Eber às 13h03
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24 horas de São Caetano - Fotos

4a colocação para a NT!! 280,236km em 24 horas!!!

Pódio para o Éber na sua primeira ultra!! 182km e a 5a colocação!

Ultras e as medalhas!

Éber estirado na pista, logo após o término das 24 horas (reparem a camiseta vermelha da NT jogada atrás dele...)

 



Escrito por Issao às 12h31
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24 HORAS DE SÃO CAETANO - SOMOS ULTRA!!!!

Galera, neste final de semana do dia 10/11 de Dezembro a NT participou de uma mega corrida! Eber, eu, Luis Augusto, Issao e Paulo estivemos participando de uma 24 horas! Tanto o Eber quanto o quarteto conseguiu ótima colocação, levando troféu para casa. O grande destaque ficou por conta do Eber que mesmo sendo a primeira corrida dessa que ele participa, pegou a quinta colocação no geral, ao lado de grandes nomes da ultramaratona de 24horas! O Eber simplesmente foi fenomenal!

Por outro lado também tivemos uma excelente participação em equipe, ficando com o quarto lugar. A disputa com as outras equipes fez com que a prova fosse carregada de adrenalina desde o começo!!! O cansaço batia forte mas a gente levava cada perna com muita garra defendendo nossa posição, mantendo o ritmo geral da equipe mesmo nas condições adversas da madrugada, e fazendo os que estavam na nossa frente ficarem espertos! Foi demais, indescritívil, só uma ultra oferece esse tipo de emoção!

Sensacional também foram os nossos apoios, com grande destaque para o Sadao que foi perfeito! Ele sempre chamou para si a responsabilidade de dar conforto e incentivar a equipe, sempre estando pronto para tudo, durante toda a madrugada! Não bastasse isso ele ainda nos levou muito suprimento, isopor, guarda chuva (este foi de uma utilidade tremenda!), caderno e caneta... Grande Sadao, a equipe NT foi privilegiada por tê-lo, se houvesse um podium para o apoio vc estaria lá em cima!

Agradecimentos também à Lika, que eu sou suspeito para falar, mas que também ficou a madrugada toda acordada e pronta a dar o apoio necessário. A maior parte dos registros fotográficos foi dela. Fora os chocolates quentes, cafés, massgens na madrugada...

Rodolfo, Toinho e Claudia (esposa do Augusto) também estiveram lá torcendo pela gente, enfrentando adversidades para nos dar incentivo e ajudar no que fosse necessário! O Rodolfo até acabou participando um pouco do apoio nosso e do Eber. O Toinho tirou inúmeras fotos que ficaram como excelente registro da prova, sensacional! A Claudia enfrentou as adversidades para nos dar muito incentivo!

E os apoios oficiais do nosso grande orgulho, o Eber, o Marçon e a Sally também desempenharam um papel importantíssimo nessa conquista que ficara para a vida do Eber e da NT! Eles foram o apoio oficial do Eber, e os dois não só apoiavam o Eber, mas participavam com ele a cada passo, fornecendo não só suprimento, como informações, força, incentivo, dedicação e muita torcida. O Marçon e a Sally, sempre ali do nosso lado, cuidando do Eber com tanto carinho, formaram um ambiente unicamente visto em ultramaratonas, uma união indescritível, a solidariedade que fazia os três percorrerem um só objetivo como uma equipe muito entrosada. Era grande a nossa vontade de ajudar o Eber, e o fizemos sempre que possível pelo quanto gostamos dele, mas a sensação de que o Marçon e a Sally podiam fazer isso como ninguem nos deixava todos muito tranquilos com a certeza de que ele não podia estar em melhores mãos! A Sally virou a noite ali, com muito comprometimento, e o Marçon só não o fez porque tinha outros compromissos e era um só, mas não se vira uma noite sob chuva e frio por alguem que não seja muito importante. Eber tenha a certeza que seus amigos Marçon e Sally provaram o quanto você éimportante para eles, é muito legal ver que o esporte proporciona esse tipo de amizade tão profunda!!!

O Cupim também apareceu por lá, e sem estar inscrito ele levou uma barraca de camping. Cupim, você não sabe o quanto esta sua barraca foi útil cara!!! A noite toda choveu, o chão da tenda ficou uma lama só, a sua barraca era o único lugar possível de dormir, de guardar as mochilas para que elas não molhassem! Todos nós quatro e o Eber usamos muito a todo momento ela. Tenha certeza que nesse ato de solidariedade, de se dispor a ajudar sem ter nada em troca, você acabou tendo grande participação na nossa valiosa conquista! Valeu cara!!!

Ao grande chefe da VO2 Luis Bernabeu que estava ali ao nosso lado sempre, disposto a nos ajudar e agarrar nossas causas muito obrigado! Eu fiquei maluco de raiva quando a equipe adversária tirou um atleta muito lento e colocou outro no lugar com menos de meia hora, que era o tempo mínimo do regulamento. Reclamei para todos, inconformado. Estávamos muito cansados, na madrugada, lutando pela posição bravamente, para que eu pudesse deixar aquilo passar. O Luis abraçou a causa, conversou com a organização, se dispos a cronometrar pessoalmente os tempos das trocas, ficou de olho nas equipes. Fez isso pela gente porque a equipe dele estava longe, não era mais ameaçada. O locutor advertiu as equipes pelo alto falante a partir da intervenção do Luiz, e então parece que as irregularidades foram contidas. Mas esse é um exemplo apenas de quanto o Luiz tem sido uma grande pessoa, com uma grande equipe, mas sem esquecer das pequenas! Valeu Luiz, foi um prazer enorme estar lá a teu lado!!!!

Ao Leo que emprestou a tenda e a toda a galera da NT que não estava lá mas com certeza estavam torcendo, também os nossos agradecimentos sinceros.

Ao mega ultra hiper Bond, que competiu também na categoria individual e conquistou o primeiro lugar de sua categoria, os nossos parabéns!!! Eu sempre tentei incentivá-lo, mas confesso que nem sempre o reconhecia, ele parecia mudar de roupa muito frequentemente e eu dificilmente reconheço as pessoas pela face... Desculpe-me Bond, mas sempre estivemos torcendo por ti! No final lembrei que não passei na sua tenda, e fiquei um pouco com raiva de mim mesmo, desculpe-me denovo!

Galera, isso tudo é dito porque esse é realmente um evento especial e inesquecível. Ao contrário de uma maratona, pelo menos eu fiquei com uma vontade enorme de participar novamente. Foi indescritível, é muito tempo de muita emoção, muita amizade e solidariedade. E não bastasse isso temos o prazer enorme de ver objetivos enormes detonados, de provar que somos capazes de feitos extraordinários. A alegria foi unânime nos quatro e maior ainda para o Eber, por mais que também saíssemos muito desgastados. É simplesmente indescritível, todos tem que participar!!!!

Issao, vc precisa colocar aqui no Blog a classificação da galera, se possível o tempo e Km individual, fotos...

Grande abraço

Marcos



Escrito por Marcos Sanches às 08h01
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Treino ontem

Galera, ontem eu não resisti e fui dar uma corridinha. Saí em direção ao Ibira já era mais de 19:30 e lá peguei a trilha demarcada de 6Km a partir do portão da passarela do Detran. E segui até a praça do sino, onde dei uma volta e voltei pela trilha até o mesmo portão, já estava muito escuro para correr lá.  Voltei então pra casa em alguns momentos forçando um pouco, fazendo uns 50 minutos de corrida. A verdade é que em todo momento eu senti a perna,mas parece que não piorou com o passar do treino. E nem melhorou eu tendo ficado a semana inteira parada.

Para as 24h acho que vai ser uma incógnita, dá para correr se ficar como está, mas será que não vou sentir mais com muito tempo de corrida? Não sei, falta uma semana, minha intenção é ficar parado até quinta, fazer um treino na quinta leve e ver o que acontece no sábado/domingo!

Abraços - MS



Escrito por Marcos Sanches às 06h48
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